Sentada no banco do jardim
observo-te.
na confusão dos teus pensamentos
planeias e coordenas os teus gestos.
na desordem dos teus sentidos
Sabes perfeitamente onde tocar, o que ouvir, o que cheirar.
na racionalidade do teu pensar
erras em cada coisa que dizes.
no planeamento organizado dos teus dias
não há espaço para novos sentimentos.
na perfeição da tua “postura”
detecto lacunas no teu olhar.
observas-me.
na confusão dos meus pensamentos
não penso.
na desordem dos meus sentidos
desejo tocar-te, ouvir-te…
na racionalidade do meu pensar
Cometo actos impensados.
no planeamento dos meus dias
procuro sentir.
na perfeição da minha “postura”
detectas lacunas no olhar, na voz, no meu ser.
descobres imperfeição.
descobres tudo o que não queres
paro! Deixo de observar, de sentir, de imaginar
Levanto-me, vou viver!
Katy
Giorgio de Chirico
Há 8 anos

