quarta-feira, 22 de abril de 2009

Demi-plié



Inclinava o corpo com delicadeza forçada de uma boneca de porcelana. Era tudo aquilo e nada mais. A vontade de debruçar o corpo era não mais que isso.Vontade, desejo utópico.
Entre a delicadeza dos seus traços, entre o sorriso ,permanente, pintado de uma só vez... Não restava história de vida alguma que justificasse tão mística e vazia alegria.
Olhos azuis seriam sempre olhos azuis. Nem espaço para vermelho sangue, nem azul lacrimejante. Eram simplesmente azuis. Cada tentativa forçada de fechar os olhos e esquecer,resultava em pequenos pedaços de porcelana soltos.
E ia perdendo algo de si, quando o simples desejo de ser gente tomava conta do seu frágil corpo.
Doía-lhe a alma dos pés, a alma das suas pernas... E lançava-se num desejo infindável de sentir dor física. Pesava-lhe na existência os dez anos de ballet contínuo, os dez anos de posse sofrida e delicada de postura.
Quantas e quantas vezes desejou somente tombar, inclinar-se sem ter de reflectir. Ajoelhar-se.
Não suportava a música. Ouvia-a apenas. Um dia ,no centro de todos os dias que a ela não pertenceram, Parou. Não mais dançou.
Ouvi o estilhar do seu corpo.Pedaços de pálida porcelana caíram aos meus pés.
Tornara-se humana. Afinal não era imortal!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Decesso

São corpos, mentes. São desejos repentinos.
É uma súbita e incontrolável vontade, é um choro silencioso, vazio.
São vitórias esquecidas, és tu, incessantemente tu.
É o meu corpo estático, sou eu esquecida, parada, adormecida.
Cegueira, surdez.
E vontade de não estar, visão provocada.
Histórias inteiras compostas.
Emoções sabidas.
São também eles mentirosos em uníssono, sedentos de nada.
E a minha queda não desejada, tantas e tantas vezes inocentemente planeada.
São pedaços de papel rasgados, carícias duplas de ódio e paixão.
Será amanhã doce lembrança, pequenos arrependimentos.
É hoje tarde manhã, vontade bruta de mudança...
Minha boca, teu ouvido, minha esperança, tua consciência.
É a história não vivida, contada apenas uma vez.
São súbitas descargas de realidade.
Anos, vida parada, descurada.
Eras tu, eras tu, sempre tu...
Foram terrenos semi- plantados, suportando rosas semi - belas, eucaliptos semi-perfumados.
Jazigos inquietos, barulhentos, dançantes, com corpos semi- vivos, ossos ocos de matéria, almas loucas, tresloucadas, mal amadas.
Excedentes de vidas sugadas e paradas.
Eras tu: terra fértil, belas rosas, eucaliptos. Disfarce de mau cheiro.
Vitórias gritadas, sentidas. Tristezas vencidas.
Onde um ou outro jazigo, devidamente sepultado, nada deixava adivinhar.
Pedaço de madeira perfeita.
De coroas de flor apenas botões de rosas brotavam.
Da memória temida apenas vozes ocas suavam e júbilos de amor entoavam.
Realidade inventada. Metáfora…
Descargas de amor, amor...
Era sob a tua indelicada mão que repousava o meu corpo.
Era sobre batimentos cardíacos perfeitamente sincronizados...
Teu sonho, repouso de vida, refúgio de corpo.
Suspiro e emoção.
Minha interpretação….

terça-feira, 31 de março de 2009

Não é tristeza.É inércia. Puro cansaço

Já lá vão os messes...


Roubaste-me as palavras!