quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

La vita è bela

O Filme da minha vida.

Entre uma gargalhada e uma lágrima.

Uma das melhores lições de vida que aprendi!

.... e a vida é bela!!!

sábado, 6 de dezembro de 2008

"O Deus das pequenas coisas"

Curvo-me perante a bondade, a inteligência,o humor, a SINCERIDADE, a simplicidade e a generosidade...
Curvo-me, com subtileza e elegância
Mas curvo-me!
Perante ti...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cidadela

Da janela a paisagem suja de corpos vestidos de tanta vaidade, despidos de amor, suados, pegajosos, usados. Abria a cortina vezes e vezes sem conta, a cada instante em que a incerteza de ter direito de amar lhe assaltava. Olhava sobre o parapeito e contemplava o mundo, tão incerto, tão sujo, tão indigno de ser amado.
Mas era esse o lugar, o Homem contempla-o, contempla-o e venera-o, deseja, possui.
E perante tão ingrata e incompreendida luta baixa os braços, recolhe os lábios. Não pede que lhe abracem, que lhe beijem, é fraca a mente humana, cega, sem sentido.
Risos miúdos e perturbadores perfuram-lhe a alma, chamam-lhe ridículo. Súbita lucidez faz com que feche a janela, corre as cortinas, acende o pequeno e tosco candeeiro e num movimento bruto e repentino deita-se na poltrona, engole o sentimento de solidão que lhe assalta, mata assim a sede de ilusão que todos os dias precisamente à mesma hora o seu corpo denuncia.
Agora adormecido sonha.
Sexta-feira noite cerrada, lá fora a lua iluminava toda uma cidade, silenciosa, suja, húmida. Habitada por grandes e pequenos seres que se transformam à noite naquilo que realmente são. Ratos, baratas, prostitutas, homens… todos famintos à procura de alimento. Baratas e Ratos esgravatam no lixo à procura de restos de comida, prostitutas procuram restos na alma humana, homens procuram restos de carne humana.
Lá dentro também se procurava, recorda-se como se tempo algum tivesse passado. Sexta-feira noite cerrada, lá fora a lua iluminava toda uma cidade silenciosa… cá dentro um pequeno e tosco candeeiro iluminava um grande ser. Era o homem, silencioso e sozinho, era ele. Hoje, ontem, ao raiar e ao cair do sol. Sempre o mesmo, sem expressão alguma no rosto.
Duro, inflexível.
Não iria resultar com ele...
Insignificante tapou o sorriso, fechou a boca, ajeitou o corpo, tentou a todo o custo melhorar a postura, o banco era pequeno demais, estreito, excessivamente íntimo.
Da poltrona olhou-a. Nem um único sinal de desprezo, nem um pingo de compaixão, nem um único ruído de rancor.
Recusou ensina-la.
Fechou a porta
Encolheu o corpo, e protegeu a sua alma.

domingo, 28 de setembro de 2008

Navegando...

Sobre o balanço de um grande barco, sobre o sopro eficaz de um vento,
A viagem torna-se tão curta e tão vaga.
Apetece empurrar e puxar, puxar,
Apetece fazer força.
É falso quando é fácil.
Quem disse que o concreto é delicioso,
se o prazer é abstracto.
A experiência de falhar e voltar a tentar,
a possibilidade da negação se tornar positiva.
O teu cheiro ser apenas uma brisa comum e passageira,
e mesmo assim ser agradavelmente única.
Sobre o balanço de um pequeno barco, sobre o sopro sofrido de outro vento.
A viagem torna-se longa e o prazer aumenta, e aumenta
E no auge, de todo o prazer, o cansaço vence.
A necessidade de outro dia teres de chegar,
voltas a viajar, o prazer volta, mas volta com mais força.
Á vela tudo parece ser mais real,
Sentes o suor escorrer-te na cara, os músculos doridos,
sentes necessidade de dormir, podes sonhar!
O barulho do motor torna-se incomodativo, fútil,
cheira demasiadamente bem, não existe suor,
não existe necessidade de dormir.
Não há tempo nem possibilidade de sonhar.
Evita a bússola, não busques orientação
Orienta-te!
Que a necessidade de água potável e alimento,
te façam, pensar, e te obrigue a velejar.
Que razão tem o vento?
Aquele assobio, hipócrita e presunçoso, que chora sobre ti,
em busca da razão que não têm, em busca do reconhecimento,
Da força, que apenas o concreto consegue derrubar,
da força tão igual ao menor do que as águas,
que sustentaram e continuam a sustentar o teu barco.
Ao balanço das ondas, veleja, com toda a tua força.
Ama o abstracto quando o concreto nada te diz.
Exista ou não um cais, um porto.
Gozaste o prazer da viagem feita por ti.
Agora apenas tu podes tocar nos teus calos, e sarar as feridas.
Saboreia a vitória!
O cais é feito por ti, não tem betão.
É feito de sonhos...
O abstracto tornou-se real,
e atracou vencedor.

sábado, 20 de setembro de 2008


Descansa!

Descansa...

Quando as palavras são demasiado minhas não existe perfeição. Sou apenas eu a falar, imperfeita, humana.
E digo aquilo que quero, aquilo que amo, aquilo que odeio. Entender-me passa a dar trabalho, e reduzo para mais de metade o meu mundo . Num esforço inútil de me fazer entender vou deixando para trás verdades inconvenientes, palavras duras, lágrimas vertidas, sonhos escondidos, mundos temidos.
Depois, o silêncio deixa de incomodar. Depois, o diálogo parece resultar.
Agora sou apenas eu, inteira. Deixo de ter medo de ti, da tua reprovação, falsos elogios, frases feitas, demasiado perfeitas. Choro sem medo, choro, choro, choro, agora que conheço tenho ainda mais medo e não tenho como escondê-lo.
Estou nua, completamente nua e ainda assim deixo que me abraces, a luz incide directa e violenta sobre mim. Sim, sou eu! O meu corpo, a minha alma. Sim, é teu! O meu corpo, a minha alma.
Aqui! Aqui! São estes os meus defeitos,vês? Toca! Não os tens também?
Recuas,é claro! Felizmente recuas, felizmente temes, és também tu, és tu… Tens também medo, tens também duvidas, tens também o que esconder, o que temer.
Descansa!
Luz nenhum incidirá sobre ti, cruel, fria, violenta, não enquanto quiseres,não enquanto não deixares. Dorme, continua a sonhar com a perfeição da tua vida, tu e um prado, um único prado, um único legitimo animal.
Não perdoes quanto não tens perdoar, não ames se entendes que não tens de amar, mente quando sentires que deves mentir, odeia se a tua vontade é odiar, despreza se a única saída é desprezar.
Mas pára de me apontar, não me pendures, não alistes as minhas falhas, não o faças! Não enquanto não deixares que a luz recaia também sobre ti, não enquanto não chorares.
As minhas falhas tocaram-te apenas, não te pertencem. Pára! Cala-te! Escuta-te e chora, reconhece-te!
Vês agora? Sou eu, és tu, é ela! Sim aquela és tu, é ele!
Somos nós. Afinal somos nós, únicos , iguais, imperfeitamente iguais.
Descansa...
Escolhi acompanhar o teu sonho sem uma única vez sentir vontade de te ver por inteiro, sem nunca sentir vontade de apontar um único raio de luz sobre ti.
Pede! E eu caminharei no escuro contigo lado a lado, descobrindo através do tacto, da audição,do olfacto, do paladar aquilo que a visão não me permite, aquilo que simplesmente escolheste esconder.
Descansa…

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Rosas

A todas as minhas rosas, a todos os meus cravos.
Que continuem a crescer ao meu lado, e que tenham a capacidade de se transformar...
( a vocês amigos)


A chuva que cai sobre a minha pele
lava a minha alma,
é a cura de toda a sujidade que tu, tu, e eu deixamos no meu coração.
e cada gota que escorre sobre a minha pele me limpa de mim mesma.
a seca traz-me nova vida, floresce em mim outro eu.
e aguardo ansiosa cada forma de mau tempo que vier
que venha tempestade, vento,seca.
tu transformas, eu transformo!!
Transformamos em vida.
Manipulo, a meu favor, o ar que quero respirar
torno-o limpo.
planto em meu jardim cada rosa que precisar,
Cada árvore a que me encosto, levou tempo a crescer
e a sombra que dela se faz, me abriga, num alivio fugaz,
do sol ardente e traiçoeiro
que finge trazer alegria,
que traz a ilusão de luz, de certeza.
ervas! que farei com elas?
cuido com carinho, dedicação,
atenta a cada uma delas, amo cada uma,
rego na esperança que se tornem em arbustos,
terei ,com certeza , em alguma altura vontade de me esconder.
e faço o meu jardim, com a calma de quem anseia
uma sombra perfeita,
podo as minhas árvores,
planto os meus Jarros,
rego a minha relva,
e deixo que cada gota que cai em cima dela
cai também para mim,
porque a sede que se saciar ,
se reflectirá em mim.
e depois caio, e adormeço.
saciada, tranquila.
à sombra da primeira árvore que me abrigar...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

desi-ilusão

e quando penso que conheço,
engano.
agarras na pedra e bates, bates até morrer
e quando penso que gosto,
enjoo.
e falo, falo até doer.
frio, vazio,
o olhar de mim me sai,
e o amor cai.
juro sofrer com alegria.
foi-se.
e tu vens, e eu não quero ter,
e falta verdade naquilo que confio.
eu me parto e vou esquecer
gostas mas não gostas,
olhas....
em ti te vez, em ti te sentes,
e me fazes doer,
dizes me querer, mas fazes sofrer,
e te queres, só a ti te queres,
fui e vou
partiste.
te ouviste, te sorriste,
e agora?
agora te abraça, te apoia,
agora só em ti confia,
tu te amas.
digo adeus...
digo-te adeus,
com uma lágrima no rosto
e a promessa de não ter saudade.

katy

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Coffee love

A um ritmo lentamente alucinante,
num entra e sai completamente coordenado.
em sussurros silenciosamente incomodativos,
encontram-se, olham-se ,beijam-se,
amam-se.
a impessoalidade do local permite uma cumplicidade interna.
a fuga, à constante confusão externa.
apuram-se os paladares, despistam-se os olhares.
entre o sabor exótico de um café e o reconhecimento de um beijo,
inventam-se sonhos, apagam-se rotinas, descortinam-se desejos.
temos espectadores! Encenamos o nosso amor?
não são permitidas criticas. A peça é nossa!
o ballet perfeito!
podem olhar, aplaudir,comentar...
é publico o local.
não é publico o nosso amor.
a conta está paga.
a casa fechada.
o amor saciado num único beijo selado!
um café.
o meu café inventado!

Katy

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

obra de arte

Para a minha amiga Tânia ( a melhor artista que conheço)
Parabéns!!!!


A imagem que me dás é disforme,
incoerente, difundida.
eu vejo reflexos, reflexos perfeitos
que mostram o que não se deve ver.
a imagem que ocultas, é cinzenta, pálida
o reflexo que vejo tem cor
tem vida, tem cheiro.
a tinta que usas é aguada,
inconsistente.
dou-te mais tinta, verniz
para que com eles a valorizes.
as formas que recrias não são simétricas
mas vislumbro algo perfeitamente criado.
a obra de arte que criaste é minha!
a imperfeição do teu talento,
a incerteza do teu traço,
a incompatibilidade da imagem-mensagem
a minha vontade de ver, de apreciar.
a obra de arte,
o alvo do meu olhar,
a certeza de gostar
a vontade de te apoiar, de te patrocinar!
:)

Katy